25 de abril e liberdade: a social-democracia como caminho para o futuro de Portugal

Filipe Ferreira | Presidente da Comissão Concelhia da Amadora

 

O 25 de Abril consagrou um conjunto de valores que a social-democracia sempre reconheceu como seus: a liberdade, a dignidade humana, a solidariedade, o pluralismo e o Estado de direito. Não foi por acaso que o PSD se tornou uma das forças centrais na consolidação da democracia portuguesa. A tradição social-democrata — enraizada na ideia de que o mercado deve servir as pessoas e não o contrário, e que o Estado existe para garantir igualdade de oportunidades a todos — era, e é, profundamente compatível com o melhor do espírito de Abril.
Nos anos conturbados que se seguiram à Revolução, quando o percurso democrático não estava de forma alguma garantido, foi a social-democracia que firmou o caminho do centro, recusando os extremismos de direita e de esquerda que ameaçavam desviar Portugal da sua vocação europeia e democrática. Francisco Sá Carneiro foi um dos pilares desta resistência — a sua visão de um Portugal livre, moderno e integrado na Europa foi determinante para que o país não perdesse o rumo.

A liberdade proclamada em Abril precisava de ser preenchida de conteúdo. De nada valeria a democracia formal se os portugueses continuassem presos à pobreza, ao analfabetismo e ao isolamento. A social-democracia entendeu desde cedo que concretizar os objetivos do 25 de Abril significava construir um país com hospitais públicos que funcionassem, escolas que chegassem a todos, estradas que ligassem o interior ao litoral, e uma economia capaz de gerar emprego e bem-estar.
O período governativo de Cavaco Silva representa, neste contexto, um momento de referência. O Portugal que se modernizou, que se integrou plenamente na Europa, que viu as suas infraestruturas transformadas e a sua classe média crescer, é também o Portugal da social-democracia em ação. Não foi a ideologia que guiou esse percurso — foi a convicção de que governar bem é a forma mais honesta de honrar os valores de Abril.
A democracia não se celebra apenas em abril. Celebra-se cada vez que uma criança tem acesso a uma boa escola, cada vez que um doente é tratado com dignidade, cada vez que um trabalhador vê o seu esforço reconhecido. É nessa democracia concreta e quotidiana que acreditamos.
A social-democracia recusa a ideia de que a liberdade e a justiça social são objetivos contraditórios. São, pelo contrário, as duas dimensões de um mesmo projeto: o de um país onde cada pessoa pode desenvolver o seu potencial, independentemente da sua origem, onde quer que tenha nascido e qualquer que seja a sua condição de partida. Esse foi o sonho de Abril. Esse continua a ser o nosso projeto.

A Amadora é uma das cidades mais diversas de Portugal. Aqui convivem histórias de vida vindas de todos os continentes, culturas diferentes, línguas diferentes, sonhos diferentes — e é precisamente essa riqueza que nos torna um lugar único. O 25 de Abril pertence a todos os amadorenses, sem exceção. E o PSD Amadora orgulha-se de ser uma força política que trabalha para todos, sem distinções.
O nosso trabalho diário é a expressão mais genuína dos valores de Abril. Quando defendemos melhores condições de habitação para as famílias amadorenses, estamos a honrar Abril. Quando exigimos mais e melhor serviço público de saúde para os nossos cidadãos, estamos a honrar Abril. Quando lutamos por mais oportunidades de emprego, por mais qualidade nas escolas, por uma cidade mais segura e mais justa, estamos a construir — dia após dia — o Portugal que Abril prometeu.
A participação cívica e democrática é, ela própria, uma forma de celebrar Abril. Cada reunião pública, cada debate, cada proposta apresentada, cada cidadão que se envolve na vida da sua comunidade — tudo isso é democracia viva, democracia que respira, democracia que faz sentido. O PSD Amadora acredita profundamente nesta democracia de proximidade, que não se esgota nas eleições mas se renova no contacto permanente com as pessoas e com os seus problemas reais.

Há quem trate o 25 de Abril como uma data voltada para o passado — um dia de memória, de homenagem, de nostalgia. Nós pensamos de forma diferente. Abril é, antes de tudo, uma data de esperança e de futuro. O passado honra-se, sim, mas honra-se melhor ainda construindo o amanhã que os homens e as mulheres de abril não puderam ver.
As gerações mais jovens cresceram numa Portugal livre — e é para elas que trabalhamos. Para que encontrem um país com mais oportunidades do que aquele que recebemos. Para que possam escolher os seus caminhos sem que o berço os determine. Para que a liberdade não seja apenas uma palavra na constituição, mas uma realidade concreta nas suas vidas.
A democracia não é uma conquista terminada — é uma construção permanente, que exige de cada geração o mesmo empenho, a mesma coragem e a mesma generosidade que os capitães de abril demonstraram naquela madrugada. O PSD Amadora renova, neste 25 de abril, o seu compromisso com essa construção. Com os pés no presente e os olhos no futuro, como sempre foi o espírito da social-democracia.
Que este 25 de Abril seja, para cada amadorense, um dia de orgulho no passado que conquistámos e de fé no futuro que ainda vamos construir juntos.

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