
Dia do Trabalhador: Por um Novo Diálogo Social
Álvaro Carneiro | Presidente do Secretariado Distrital dos TSD Lisboa
Estamos a chegar a mais um 1º de maio, que se iniciou em 1886, com centenas de milhar de operários de Chicago encetaram uma luta histórica, e que desde então até hoje é relembrado em quase todo o mundo e no nosso Portugal.
É talvez mais uma vez, o momento de considerarmos fundamental refletir, sobre alguns aspetos que nos afetam a todos, principalmente os mais pobres, ao futuro dos jovens, aos aposentados, aos desempregados, à justiça social, à tolerância, à solidariedade, à igualdade, à democracia, à liberdade e à PAZ.
Nesta pequena abordagem, estamos a pensar dar aqui um contributo positivo para construir um novo figurino e aprofundado diálogo social no futuro, de forma a credibilizar potências e que as estruturas representativas dos trabalhadores, ( centrais sindicais ) possam responder cabalmente aos tempos atuais e aos que aí vêm, face a um maior desenvolvimento intelectual, com as diversas inovações no mercado do trabalho, nomeadamente das inteligência artificial, e ao desenvolvimento cada vez mais do trabalho no teletrabalho, entre outras;
Também falamos da credibilidade demonstrada e pela imagem perante a opinião pública, a redução global de aderentes às estruturas representativas dos trabalhadores, como são os Sindicatos e as CT.s, e outras organizações (empresariais), o cada vez mais distanciamento dos trabalhadores, as dificuldades de representação e da conquista de objetivos, não é um “produto português”, pois é idêntica ao que se passa na maior parte dos outros países, mas no nosso está a notar-se cada vez mais;
Encarar o movimento sindical contemporâneo implica, desde logo, ter uma vontade firme e culturalmente aberta com o objetivo bem definido de conseguir dar resposta às preocupações reais e legítimas de cada um dos trabalhadores.
Vivemos hoje em dia uma situação laboral em constante mutação, por diversos motivos, especialmente derivada do aumento substancial da competitividade, onde se exige maior profissionalismo e formação técnica.
A aposta portuguesa tem de conseguir, em pelo menos uma geração, atingir os níveis de desenvolvimento, e consequentemente, de qualidade de vida iguais aos dos nossos parceiros europeus mais desenvolvidos; o nosso ordenado mínimo atualmente situa-se em 920 €, a Espanha esta com 1.380 €, a Bélgica com 2.154,10 € e a Suíça com 4.500 €, são alguns exemplos que demonstram a diferença abismal de salários em alguns países na Europa, e os salários e as pensões são baixíssimas, face à maioria dos países Europeus;
Hoje em dia não é primordial a diferenciação entre trabalhadores e empregadores, pois é cada vez mais importante encarar a empresa ou o serviço como um todo, já que seria impossível o sucesso sem um perfeito entendimento entre quem emprega e quem é empregado.
Não é segredo para ninguém que o sindicalismo atravessa hoje uma forte crise de afirmação na sociedade.
As enormes alterações na cultura empresarial conduzem à gradual formação de uma nova consciência laboral, e à negação dos velhos e gastos princípios de atuação sindical, que, apesar de terem dado bons frutos no início do século passado se mostram hoje inoperativos e desajustados às realidades atuais.
As mutações sociais e económicas que diariamente nos deparamos, não encontram em alguns sindicatos respostas plausíveis de modo a satisfazer os anseios dos trabalhadores.
Os sindicatos terão então que reequacionar a sua postura perante as novas questões socio-laborais e reformular a sua intervenção no meio socio profissional de modo a reconquistar o apoio e a militância dos trabalhadores, para um sindicalismo que privilegie mais a coesão social do que a mera luta reivindicativa.
O papel dos sindicatos é hoje mais do que gerir ou diminuir conflitos, o de promover esse bem-estar e esse clima de paz social que permita o entendimento e a concertação entre as diferentes perspectivas dos que compõem as empresas.
Neste contexto que afirmamos a importância das estruturas representativas dos trabalhadores e nomeadamente os Sindicatos e das Comissões de Trabalhadores, que ao serem fortes e independentes defendam os trabalhadores e as empresas.
Defender as posições e os direitos dos Trabalhadores, obriga a uma maior competitividade nas organizações e implica uma contínua atenção, criatividade e reforço organizativo, – ao aproveitamento das capacidades e competências dos Trabalhadores, – a preocupação pela qualidade dos bens ou dos serviços fornecidos, em suma, uma decisiva perspetiva de quem determina o valor e a continuidade da organização são os utilizadores e os clientes.
Maior competitividade para os trabalhadores implica, por exemplo, o reconhecimento do valor do seu trabalho no conjunto das tarefas executadas na empresa, das competências profissionais e outras.
Não sendo idênticos os efeitos da competitividade para as empresas públicas ou privadas, para os trabalhadores, embora se possam identificar pontos de convergência entre ambos, os Sindicatos e as Comissões de trabalhadores responsáveis, mantêm um diálogo aberto e franco com as entidades patronais, e isso é da maior importância de forma a se conseguir convergências essenciais ao desenvolvimento das empresas e dos seus trabalhadores.
Um bom relacionamento entre as estruturas, prestigiam a competência e a imagem dos colegas, que como sabemos em muitos locais de trabalho necessitam também de ser defendidos, o que por vezes não acontece em tantas e tantas ocasiões.
As Organizações dos Trabalhadores na sua legitimidade legal, não podem assobiar para o lado e não devem embarcar em demagogias, assim como não devem defender clubes ou partidos, ou interesses individuais.
Nesta matéria, estamos certamente todos de acordo! Os Sindicatos e Ct.s devem defender e preservar a sua independência, o trabalho, o coletivismo, a dignificação e a união entre todos.
Quando assim não é não estão a prestar um bom serviço, nem aos trabalhadores nem aos empregadores.
Não posso deixar de referir nesta abordagem que assumo a visão europeísta de corpo inteiro, mas com a necessidade de acautelar a defesa dos trabalhadores face à natural e previsível concorrência de outros trabalhadores Europeus nas empresas sediadas em Portugal.
O País só terá melhor futuro, no quadro politico, social e cultural com os trabalhadores e com o envolvimentos dos Portugueses, que corresponda aos anseios profundos do melhor e maior desenvolvimento e qualidade de vida de todos os portugueses e suas famílias.
O 1º de Maio, lembra-nos e obriga-nos a participar ativamente a construir cada vez mais e melhor futuro para os nossos jovens e para a população Portuguesa
Viva o 1º de Maio.