Desporto na Amadora: O que esperamos para sair do marasmo

Élio Azevedo | Vogal Assembleia Freguesia Falagueira-Venda Nova
 
A problemática na qual se encontra o desporto na Amadora passa por várias fases de análise.
A fase inicial deverá incidir sobre o levantamento acerca dos clubes existentes assim como as modalidades, e os atletas federados que as praticam. As infraestruturas, existentes, para a prática desportiva também deverão constar nesse dossier inicial.
Por falar em infraestruturas desportivas é incompreensível a cidade da Amadora (171.500 habitantes em 2021) não possuir, nos dias de hoje, um Pavilhão Multiusos para receber eventos desportivos internacionais assim como espetáculos musicais, culturais ou mesmo congressos de vários enquadramentos. Poderemos equiparar duas cidades cada uma com dois pavilhões diferenciados, Paredes (84.350 habitantes) com dois pavilhões multiusos e Portimão (60.278 habitantes) que possui a Arena de Portimão e o Pavilhão Municipal, convém relembrar que em 2019 Portimão foi a cidade europeia do desporto, com este nível de infraestruturas tudo se torna mais fácil.
Como seria interessante, a Amadora, poder acolher num pavilhão multiusos uma competição de Atletismo, na vertente pista curta. Curiosamente em Portugal estas competições só eram disputadas em dois locais, Pombal e Braga (Altice Arena), até ao final de janeiro do presente ano, altura em que a zona centro do país foi devastada pela tempestade Kristin e o Pavilhão de Pombal ficou impróprio para competições. Neste momento o único local disponível, para a prática desta vertente, é a cidade de Braga. Com a existência de uma pista na nossa cidade tudo seria mais centralizado para os clubes do sul e centro do país e olhando na vertente económica como seria positivo, ao nível da hotelaria e restauração, para os empresários do concelho. No último campeonato do mundo de pista curta realizado na Polónia, Portugal conquistou duas medalhas de ouro e uma de prata, trazer estes atletas para treinarem numa pista na Amadora talvez fosse uma alavanca para aumentar o número de atletas na iniciação desta modalidade bem como a possibilidade de se formularem protocolos com federações de outros países de forma a realizarem estágios periódicos na nossa cidade.
Referindo-me a esta modalidade, o Atletismo, haverá sempre uma forte ligação à Corrida de São Silvestre mais antiga do nosso país, onde nunca faltavam as estrelas do atletismo nacional como Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro, Fernando Mamede, Rita Borralho, António Leitão, entre outros. Deverá ser conseguida uma estratégia para fazer voltar à ribalta a “Nossa” São Silvestre ao panorama internacional das provas de estrada.
Mudando de modalidade e passando agora para o chamado desporto rei, a Amadora poderá ser uma das referências, nacionais, ao nível da formação do futebol feminino. Esta modalidade no género feminino atravessa uma fase de crescimento exponencial e seria uma excelente estratégia, por parte da autarquia, o apoio no desenvolvimento ao nível da formação, com ações divididas em três níveis: Nível 1 – Desporto Escolar; Nível 2 – Introdução da formação nos clubes do concelho; Nível 3 – Criação de um Torneio Internacional de futebol feminino (formação). Ainda no tocante ao futebol e como o concelho apresenta uma faixa etária em grande número acima dos 50 anos seria extremamente positivo o desenvolvimento do Walking Football, a Federação Portuguesa de Futebol tem um departamento específico para dinamizar e promover esta vertente, há que saber aproveitar todas as oportunidades criadas pelas federações.
No concelho da Amadora poderemos diferenciar duas modalidades em dois clubes que fazem chegar o nome da cidade aos quatro cantos do nosso país, O futebol do Estrela da Amadora a disputar a Liga Betclic e o futsal do União e Progresso da Venda Nova nesta altura a lutar pela subida ao escalão maior, a Liga Placard. Seria fantástico para a Amadora poder contar com estes dois emblemas na 1ª divisão das respetivas modalidades. Existem modalidades coletivas de pavilhão, à exceção do Andebol, onde nenhum clube do concelho se destaca. Porque não se definir uma estratégia de apoio a clubes do concelho para que seja feita uma aposta em modalidades de menor dimensão, mas que se consiga ter atletas a competir nos principais escalões das competições principais dessas modalidades, refiro-me a modalidades como o ténis de mesa, o judo e o xadrez onde o investimento não é muito elevado e poderemos ter campeões em representação de clubes do concelho da Amadora.
 
Por fim e em jeito de conclusão propunha junto da autarquia e respetivo pelouro do Desporto, a criação de um grupo de “Conselheiros/Consultores” composto por gente, das mais variadas áreas do desporto, residentes no concelho da Amadora para, em conjunto, trabalharem de forma objetiva e sustentada para que o desporto saia do marasmo onde se encontra desde setembro de 1979.
 
 

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